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Por Larissa Moreira -  31/10/2019

         câncer de mama, atualmente, é o tipo de câncer mais encontrado nas mulheres de todo mundo, sendo o segundo principal entre a mulheres brasileiras, perdendo somente para o câncer de pele não melanoma

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  É caracterizado por ser uma neoplasia maligna, a qual acontece, principalmente, em mulheres acima dos 50 anos, visto que o aumento da idade está relacionado com a elevação da probabilidade deste tipo de câncer estar presente.

 Outros fatores que podem influenciar nesta maior chance de ocorrência são a falta de atividade física, consumo de bebida alcóolica, exposição a radiações não-ionizantes (ultravioleta (UV), infravermelho, luz visível etc.), entre outros fatores, como o uso de anticoncepcionais, a primeira gravidez após os 30 anos de idade, ou mesmo a ausência desta. Além disso, o histórico familiar de câncer de ovário ou de mama também mostram uma maior predisposição para as mulheres apresentarem a doença.

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 Vale ressaltar que ter estes fatores não afirmam necessariamente a ocorrência da neoplasia, mas sim uma maior possibilidade. Segue abaixo uma tabela do Instituto Nacional de Câncer – INCA do Ministério da Saúde que apresenta alguns outros fatores influentes.

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Figura 1: Principais fatores que aumentam a probabilidade de incidência do câncer de mama. Fonte: Instituto Nacional de Câncer – INCA – Ministério da Saúde. Acesso em: 26 de outubro de 2019

  Um ponto importante para salientar é o fato de que o câncer de mama, apesar de aparecer principalmente em mulheres, pode ocorrer também em homens, os quais compõe 1% dos casos. Isto acontece pois, apesar de não terem mamas desenvolvidas, eles apresentam tecido mamário assim como as mulheres. Os fatores de riscos são casos anteriores na família, consumo de álcool, obesidade, doenças nos rins entre outros.

  Os sintomas da anomalia são os mesmos para ambos, sendo eles: caroço (nódulo) ou protuberância na mama, pele enrugada, ondulada ou com aspecto mais grosso, inchaço, tamanhos e formatos diferentes do normal, vermelhidão e retração do mamilo. Dependendo do quadro, pode-se ter inchaço nos linfonodos (Fig. 2) das axilas ou do pescoço.

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Figura 2: Sistema linfático do corpo humano. Fonte: Modificado de American Cancer Society. Acesso em: 26 de outubro de 2019

  Além disso, existem dois principais tipos de câncer de mama: o chamado carcinoma ductal infiltrante não especificado (Pra que um nome tão complicado?!), que nada mais é do que o câncer que ocorre nos ductos de leite, rompem as paredes do ducto e se alojam nos tecidos em volta, podendo se espalhar facilmente para outras partes do corpo (metástase). Esse tipo é o principal, pois corresponde de 70% a 80% dos quadros. O segundo tipo se refere ao câncer que acomete os lóbulos, que são as glândulas responsáveis pela produção de leite, denominado carcinoma lobular infiltrante. Este é responsável por 5% a 15% dos casos. Os demais tipos de câncer

Figura 3: Anatomia da mama feminina Fonte:MatoomMi. Acesso em: 26 de outubro de 2019

correspondem a neoplasias que crescem dentro dos dutos ou lobos (in situ) e não se infiltram, ou não se infiltraram, em tecidos próximos. (Fig. 3).

  Quanto aos tratamentos, estes dependem do tipo de estadiamento, que no caso é a classificação do nível inicial ao mais agressivo do câncer, podendo ser I, II, III ou IV. Além disso, o subtipo molecular do câncer e os tipos de receptores presentes nas células, como os de estrógeno e progesterona, são importantes para classificar o tipo de tratamento utilizado. Dependendo destes fatores, alguns tratamentos podem ser mais efetivos que outros. A saúde e idade do paciente também se mostram importantes para o tratamento.

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Figura 4: Passo a passo dos locais de encaminhamento para o cuidado com o câncer de mama. Fonte: Instituto Nacional de Câncer – INCA – Ministério da Saúde. Acesso em: 26 de outubro de 2019

  O tratamento pode ser local, com retirada cirúrgica de parte ou toda a mama (mastectomia), ou ainda com a utilização de radiologia (geralmente indicada após a cirurgia). Além disso, o tratamento também pode ser sistêmico, que corresponde a quimioterapia, hormonioterapia ou terapia alvo. Estas são indicadas para eliminar células tumorais que podem ter saído para outras partes do corpo, diminuir o tumor para facilitar a cirurgia ou mesmo dar mais chance de uma cirurgia que conserve parte da mama. Ainda existe o tratamento paliativo, que é aquele que visa aumentar a qualidade de vida de vida do paciente quando este apresenta metástases.

  Por fim, tratando das pesquisas atuais na área, essas buscam entender o microambiente tumoral, sabendo como ele se nutre, como se dá a formação de vasos sanguíneos (angiogênese) por ele (o que colabora para nutrição e crescimento deste) e as vias que o tumor utiliza para se espalhar pelo corpo. O objetivo consiste em bloquear estas vias a partir de, principalmente, moléculas naturais, como o [10]-gingerol, o qual provém do gengibre e é utilizado em pesquisas da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar em tumores como o (triplo negativo)TN, o qual não tem nenhum dos receptores tratados acima,  dificultando a existência de tratamentos. Este tipo de tumor corresponde a 20% dos casos e tem alta taxa de acometer novamente o paciente (reincidência). A molécula vem demostrando atividade contra o espalhamento das células cancerígenas pelo corpo e ainda diminuição de tumores, além de apresentar seletividade, atacando em sua maioria somente células do câncer.

  Desta forma, as pesquisas são voltadas para a busca de proteínas e compostos que destruam totalmente ou parcialmente as células tumorais, e que tenham maior seletividade, ou seja, ataquem preferencialmente as células do tumor em detrimento das células comuns do corpo humano, havendo menos efeitos colaterais causados por tratamentos como a quimioterapia. Além disso, os pesquisadores também buscam biomarcadores, que servem para uma identificação precoce do câncer, o que aumenta a chance dos tratamentos serem bem sucedidos e menos invasivos.

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Figura 5. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/exposicoes/mulher-e-o-cancer-de-mama-no-brasil>. Acesso em: 26 de outubro de 2019

Leituras Sugeridas:

Mulher e o câncer de mama no Brasil. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/exposicoes/mulher-e-o-cancer-de-mama-no-brasil>. Acesso em: 26 out. 2019.


A situação do câncer de mama no Brasil. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/a_situacao_ca_mama_brasil_2019.pdf>. Acesso em: 26 out. 2019


Câncer de mama.Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama>. Acesso em: 26 out. 2019.


Breast Cancer. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/rbc/n_47/v01/pdf/normas.pdf>. Acesso em: 26 out. 2019